A possível indicação do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), para o Ministério da Fazenda é vista positivamente por profissionais do mercado financeiro, mas não seria suficiente, por si só, para recuperar a confiança dos investidores no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Embora reconheçam os resultados da gestão fiscal do governador, Fonteles teria que ter apoio político para promover um ajuste nas contas públicas, depois de quatro anos de aumento do endividamento federal.
O nome de Fonteles ganhou força após a forte queda da Bolsa e a disparada do dólar na segunda-feira pós-segundo turno. O governador, reeleito no Piauí, é apontado como um dos principais cotados para a Fazenda, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin. Fonteles, porém, afirmou que não discutiu a possibilidade com Lula e que pretende permanecer no governo estadual.
Duas importantes gestoras de investimentos do Rio de Janeiro avaliam positivamente o nome de Fonteles. Ambas consideram que ele fez um bom trabalho à frente do governo do Piauí e o veem como uma liderança jovem em ascensão no PT. A principal dúvida, porém, é se teria força política para promover as reformas fiscais que as instituições consideram fundamentais para o quarto mandato de Lula.
Para o ex-diretor do Banco Central Luiz Fernando Figueiredo, Fonteles tem credenciais para assumir o cargo, principalmente pelos resultados obtidos na administração das contas públicas do Piauí. Diferentemente das gestoras, ele considera o governador uma escolha melhor do que Alckmin e Fernando Haddad, que comandou a Fazenda durante parte do terceiro mandato de Lula.
“Só vi coisas boas do Fonteles. Ele tem feito um trabalho muito bom no Piauí, inclusive fiscal”, afirma Figueiredo.
O economista, porém, questiona se Lula estaria disposto a apoiar uma política de contenção de despesas. “A dúvida que tenho é que o Lula não acredita em ajuste e por isso acho difícil sua escolha, embora possível.”
Evandro Buccini também avalia positivamente algumas posições de Fonteles sobre equilíbrio fiscal, mas considera prematuro concluir que ele conseguiria melhorar as contas da União. Para o economista, há diferenças importantes entre a administração de um estado e a do governo federal.
Estados não têm a mesma capacidade da União de financiar déficits por meio da emissão de dívida. Por isso, Fonteles teria um desafio para demonstrar como ele conduziria a política fiscal federal.
A possível indicação de Fonteles também agrada a bancos de investimento da Faria Lima, em São Paulo. Uma das instituições, que falou sob condição de anonimato, defende que Lula comece a definir sua equipe ministerial para sinalizar aos investidores os rumos do próximo governo e evitar uma deterioração ainda maior dos preços dos ativos brasileiros.
Para o banco, porém, a escolha dos ministros também não elimina a principal incerteza: se o quarto mandato de Lula será marcado por um compromisso com reformas fiscais.
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