Quando Nico Williams recebeu a medalha de campeão do mundo pela Espanha, no último domingo (19/7), o atacante fez questão de homenagear a mãe, María. Após a cerimônia de premiação, ele caminhou até a arquibancada e entregou a ela o símbolo da conquista.
A cena carregava algo muito além do futebol. Décadas antes de ver o filho levantar o troféu mais cobiçado do esporte, María havia atravessado o deserto do Saara a pé ao lado do marido, Félix Williams, em uma jornada de Gana rumo à Europa em busca de uma vida melhor.
Nico nasceu e cresceu na Espanha, mas carrega a história dos pais como parte de sua identidade. Aos 24 anos, o atacante se tornou um dos rostos de uma geração que representa a transformação de um país marcado pela imigração.
Ao lado dele está Lamine Yamal, de 19 anos, outro dos grandes talentos da seleção espanhola e também filho de imigrantes. Amigos fora dos campos e tratados quase como irmãos, os dois passaram a simbolizar uma “nova Espanha”— dentro e fora dos gramados.
Em busca de uma vida melhor
Nico e seu irmão mais velho, Iñaki Williams — também jogador de futebol do Atlético de Bilbao — nasceram e cresceram na Espanha.
A história da família é marcada por esperança, sofrimento, muito trabalho, determinação e solidariedade.
Os dois se tornaram jogadores de futebol. Em 28 de abril de 2021, eles entraram em campo como reservas na partida entre Atlético de Bilbao e Real Valladolid, que terminou empatada em 2 a 2, tornando-se os primeiros irmãos a jogarem juntos pelo clube desde 1986.
Diferentemente de Nico, Iñaki não defende a seleção espanhola. Ele decidiu representar Gana como uma homenagem às suas raízes no país da África Ocidental.
“Em uma ocasião, acompanhei os dois para levar Iñaki a um jogo do Atlético de Bilbao, antes de ele estrear pelo time principal”, contou Mardones.
“Nico vivia o futebol com muita paixão, mas, além disso, era muito simpático, um garoto especial. Além de serem grandes estrelas, são grandes pessoas. Eles sabem de onde vieram.”
Nico também relembrou a trajetória da família em uma entrevista a um veículo espanhol:
“Minha mãe sofreu muito. Caminhar pelo deserto descalça, passar por tantas coisas que eu não desejaria a ninguém. No fim das contas, ninguém vem para cá para tirar nada de ninguém. As pessoas vêm para ter um pedaço de pão, um teto, um futuro melhor para seus filhos e para si mesmas (…). Ninguém nasce racista; é preciso educar bem as crianças.”
Nesta geração da seleção espanhola, Nico encontrou em Lamine uma nova alma gêmea. Com o jovem atacante, ele passou a exercer um papel de irmão mais velho, assim como Iñaki fez com ele durante a infância.
“É uma grande imagem da Espanha ter dois jovens jogadores que riem, que são felizes e que transmitem valores. Hoje em dia, isso é quase tão importante quanto jogar bem”.
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