Operação Última Chamada recupera mais de 6 mil celulares em dez dias

Outros 3 mil aparelhos estão previstos para serem devolvidos ainda hoje, no Dia D da Operação

Por Marcos Pacheco

Wellington César Lima e Silva ( Ministro da Justiça ), Luís Inácio Lula da Silva ( Presidente da República ) e Chico Lucas ( Secretário Nacional de Segurança Pública )

Brasília, 19/8/2026 – A Operação Última Chamada recuperou 6.052 celulares entre os dias 10 e 19 de agosto. Ao todo, 97 pessoas foram presas em flagrante e 227 estabelecimentos comerciais foram fiscalizados. Além disso, 33.606 notificações foram enviadas a pessoas que estavam em posse de aparelhos identificados como objetos de crime. Os dados foram divulgados às 11h (horário de Brasília) em coletiva de imprensa, nesta quarta-feira (19), na capital federal, e seguem em atualização, em virtude do “Dia D” de operações, que ocorre em diferentes unidades da Federação.

Mais de 3 mil devoluções de celulares estão previstas no Amapá, no Amazonas, no Ceará, na Paraíba, no Piauí e em Sergipe. O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), coordena as ações.

“É um divisor de águas no combate aos crimes relacionados ao celular. O Governo Federal entende que não pode ficar distante desse tema. Então, devemos induzir e coordenar essas iniciativas, em parceria com todos os estados. Houve uma resposta muito satisfatória em 23 das 27 unidades federativas”, disse o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

“O problema do celular figura como uma das principais questões ligadas à percepção de segurança pública. Os aparelhos fazem parte de uma cadeia que diz respeito ao furto, ao roubo e à receptação. Em alguns casos, nós temos um ciclo completo, no qual o dispositivo chega, inclusive, às mãos do crime organizado nos presídios. A única forma de enfrentar o problema é por meio da integração federativa do Governo Federal e do MJSP, com as polícias estaduais”, acrescentou o ministro.

A mobilização nacional é voltada à recuperação de aparelhos roubados ou furtados, bem como ao enfrentamento da cadeia de receptação e comercialização ilegal. A ação é baseada no ciclo: recuperar, fiscalizar, investigar, restituir.

“Nós não precisamos mais dizer o quanto o celular tem uma centralidade na vida das pessoas e o quanto ele passou a ser adotado pelas organizações criminosas. O objeto de um crime de roubo e furto passa a ser um instrumento para práticas de ilícitos digitais, que vão desde a fraude até os crimes sexuais. Há, também, a forma como ele é usado pelos presos no sistema penitenciário para continuar a se comunicar e a dar ordens”, pontuou o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas.

“A partir de agora, o que muda é o papel de coordenação cada vez maior do MJSP junto aos estados. Nunca houve operação nacional de combate a essa cadeia criminosa que se utiliza do celular”, afirmou.

Questões que perpassam os direitos do consumidor também passam a ser monitoradas pelas autoridades. “O fornecedor que vende celular roubado é sócio do crime. E essa articulação que passamos a ter é fundamental para o combate a essa ilegalidade que tanto afeta os consumidores. Com os dados das operações e com a articulação dos Procon, do Ministério Público, das delegacias do consumidor, nós vamos trabalhar na asfixia financeira dessas empresas”, disse o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita.

Celular Seguro

Durante a coletiva, também foram apresentados os dados mais recentes do Programa Celular Seguro. Os roubos e furtos de celulares caíram de 225.644 no primeiro trimestre de 2025 para 215.589 no mesmo período de 2026, uma redução de 4,5%.

“Com o lançamento do Banco Nacional de Celulares com Restrição, cada estado passa a ter informações totais do Brasil sobre a vida desse objeto, produto de roubo e furto. Então, quando um celular é objeto de crime, ele entra nesse banco e passa a ser monitorado. Com o registro dos boletins de ocorrência, as polícias são capazes de executar uma série de ações para checar a origem daquele aparelho. Assim, conseguimos recuperar o celular e devolver à vítima”, explicou o diretor de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), Anchieta Nery.

“Foram mais de 100 inquéritos policiais conduzidos pelas 23 polícias civis que participaram das ações. Diversas secretarias de segurança, polícias militares e civis, além da Polícia Rodoviária Federal, acessam diretamente esse banco. Essa integração nos trouxe até esse momento, com a recuperação de mais de 6 mil celulares em todo o território nacional.”

De janeiro a julho deste ano, 626.633 pessoas cadastraram o CPF no aplicativo Celular Seguro, um aumento de 172,9% na média diária, em comparação ao mesmo período de 2025. No total, 432.598 celulares foram cadastrados e 850.376 IMEI foram consultados. Além disso, foram registrados 505.253 números aptos a receber notificações. Entre 1º de janeiro e 18 de agosto, houve 616.595 downloads do aplicativo.

Sistema Prisional

Um dos braços da mobilização busca identificar e apreender aparelhos nas penitenciárias. Nesse contexto, entre maio e julho, duas operações foram deflagradas em 267 unidades prisionais. Em um primeiro momento, a Operação Modo Avião identificou 7.300 aparelhos. Em seguida, a Operação Mute apreendeu 2.254 dispositivos nas suas fases local e nacional.

“Essa cadeia de crimes, que envolve roubos, furtos de celulares e receptação, termina, ocasionalmente, no sistema prisional. Isso atinge o dia a dia do cidadão, na aplicação de golpes e outras questões relacionadas a execuções de crimes letais intencionais. Por isso, é tão importante, além de compreender essa cadeia, romper o ciclo”, disse o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia.

Ao todo, foram 8.432 revistas em celas, com a participação de 4.042 policiais penais na primeira fase e 5.700, na segunda.

Ministério da Justiça e Segurança Pública

DEMOCRACIAS

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