O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reforçou nas últimas 24 horas a seus interlocutores que será candidato à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes e que é “zero” a chance de uma disputa ao Palácio do Planalto.
A avaliação foi feita a aliados após crescer a leitura de que o cancelamento de sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro seria um sinal de que ele partiria para o embate nacional com Lula.
A avaliação no Bandeirantes, porém, é contrária. O cancelamento ocorreu devido às declarações de Flávio Bolsonaro de que Tarcísio ouviria de Jair Bolsonaro que ele deveria ser candidato à reeleição em São Paulo, algo que o governador vem falando publicamente há semanas.
Além disso, o governador tem se incomodado com os crescentes ataques do bolsonarismo a ele, que, inclusive, aumentaram nas últimas 24 horas.
Ele realçou que a lealdade é uma característica sua, e não uma questão de cálculo eleitoral, e que, na verdade, o encontro com Bolsonaro tinha por objetivo muito mais manifestar solidariedade à prisão do que ouvir o que deve fazer em 2026.
Alguns aliados comentaram reservadamente que Tarcísio tem dito que como prova da amizade ele tem se juntado a Michelle Bolsonaro numa operação política para que Alexandre de Moraes conceda a prisão domiciliar a Bolsonaro.
A leitura é de que ele, na condição de governador de São Paulo, não pode ser subserviente a Flávio mergulhando desde agora e com musculatura na campanha do senador ao Palácio do Planalto.
E que isso não significa que ele pretende entrar na disputa nacional. Ao contrário, significa que quer ser ouvido diante do cenário que se vislumbra para a direita ao longo de 2026.
Dentro da própria família Bolsonaro, há divergências quanto à candidatura de Flávio: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem se posicionado de forma independente em relação aos enteados, e seu acesso ao eleitorado feminino e evangélico é essencial para a vitória da direita.
Além disso, a candidatura de Flávio precisa ser melhor construída dentro da direita e entre boa parte dos agentes econômicos que ainda rejeita o nome de Flávio.
Também há a leitura de que o recall de Jair Bolsonaro ajuda Flávio no primeiro turno, mas atrapalha em um eventual segundo turno, o que demanda um trabalho para além de apresentar seu nome como um fato consumado.
Por fim, no Bandeirantes entende-se que, nas condições atuais, uma candidatura de Flávio à Presidência depende mais de Tarcísio para alavancar seu nome no embate contra Lula do que o contrário, já que o governador tem aprovação na casa de 60% no estado e caminha para uma reeleição aparentemente tranquila.
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