Mariana, a mulher agredida por bolsonarista, fala pela primeira vez

(SP) Mulher recebeu três socos de bolsonarista no metrô e relata que só apanhou porque usava uma camisa vermelha

Por Marcos Pacheco

Mariana, a mulher agredida por bolsonaristas na estação Butantã do metrô, no domingo, depois do ato de Flávio Bolsonaro

A mulher agredida por um bolsonarista na estação Butantã do metrô, no domingo, depois do ato de Flávio Bolsonaro, revelou nesta quarta-feira (21/10) seu nome – Mariana – e falou pela primeira vez sobre a agressão sofrida enquanto esperava um carro de aplicativo para voltar para casa com uma camisa vermelha.

Fora das redes sociais há 10 anos, ela, que é atriz e arte educadora, disse resolveu abrir um perfil e gravar um vídeo porque o momento exige senso crítico para entender o que aconteceu. E fez seu relato:

“Quando faltavam poucos minutos para o carro chegar, vi um casal falando sobre a “lataria” de quem vota. Até que vi que estavam apontando para mim. Me dirigi até o homem e perguntei o que ele estava falando. Ele começou a falar que eu era uma vagabunda, suja, que ao contrário de mim ele sustentava 80 famílias e pagava impostos. Eu nunca tinha visto aquelas pessoas na vida”, contou.

O homem, como descobriu e revelou a coluna, é Diogo Freire Estevão, dono de uma empresa de logística em Vargem Grande Paulista, na região metropolitana de São Paulo. A coluna também revelou que, na mesma semana, a Justiça havia concedido uma medida protetiva a favor de uma mulher que ele ameaçou matar.

“Aquele homem começou a me peitar como se a gente estivesse num ringue. Quanto mais ele se aproximava, mais acuada eu me sentia. Meu instinto foi empurrar ele, e foi quando ele partiu pra cima de mim e começou a desferir socos em mim. Acertou a minha cabeça e meu rosto”, ela contou.

De acordo com Mariana, ela só foi acolhida por algumas meninas que presenciaram a cena e a ajudaram, incluindo a que gravou o vídeo que viralizou. Ainda assim, passou a ser agredida pela esposa de Diogo, Leda. “De repente a mulher começou a puxar meus dreads para arrancar. Só que os dreads são o meu cabelo. Isso dói muito”.

De acordo com a atriz, “ninguém, absolutamente ninguém” tentou ajudá-la, ainda que o vídeo mostre claramente a presença de dois policiais, que liberaram o agressor sem sequer contê-lo. A Polícia Militar sequer registrou o nome dele, que só é conhecido agora porque a agressão foi gravada e a coluna conseguiu indentificá-lo.

“Aquele lugar (a estação de metrô) era um lugar lotado. A gente espera encontrar um resquício de humanidade. Mas, enquanto eu chorava, pessoas passavam por mim rindo da situação. Sofri uma sequência de ofensas e humilhações. Ali permaneci acolhida pelas meninas e por uma segurança do metrô que apareceu depois. Eu estava voltando para casa e apanhei porque estava vestindo vermelho”, contou.

“A minha existência incomodou para quelas pessoas se sentissem no direito de me violar verbalmente e fisicamente”, contou.

DEMOCRACIAS

Veja mais

Desde os anos 90, a família do presidente Jair Bolsonaro negociou 107 imóveis, dos quais ao menos 51 foram adquiridos com dinheiro vivo.
A quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, a rejeição do petista recuou 6 pontos percentuais
Revelação aparece na pesquisa Quaest a quatro dias da eleição
(SP) Grupo focal acompanhado durante confronto na Band aponta desconforto com postura do senador e destaca desafio do presidente para abertura de sigilos
(MG) Felipe Nunes apontou para os números apertados e quantidade de indecisos
(SP) Entre entrevistados que se abstiveram ou votaram branco ou nulo em 4 de outubro, 21% afirmam que repetirão o comportamento no segundo turno
(SP) Pesquisa mostra que medo de uma vitória de Flávio Bolsonaro voltou a ser maior numericamente, o que não acontecia desde agosto na série da Quaest.
Veja mais
(DF) Pedido foi apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral e também autoriza divulgação do sigilo de Janja e Lulinha
(SP) Apuração foca nas atividades do advogado Willer Tomaz, incluindo eventual conta conjunta com o candidato a presidente
No cenário estimulado, presidente tem 45,4% e senador, 44,3%, em disputa dentro da margem de erro
Religiosos criticam candidatura do PL, denunciam riscos à democracia e soberania nacional, aos princípios de justiça social e convocam fiéis
(DF) Lula sanciona lei que perdoa dívidas de MEIs e eleva limite de faturamento para R$ 140 mil. A medida
(SP) Pesquisa Quaest mostra Flávio Bolsonaro e Lula empatados com 40% cada; percentual de indecisos dobrou em uma semana
(DF) Campanhas dos dois candidatos à Presidência enviam representantes à Corte Eleitoral nesta quinta-feira (22), a partir de 11h
Desde os anos 90, a família do presidente Jair Bolsonaro negociou 107 imóveis, dos quais ao menos 51 foram adquiridos
A quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, a rejeição do petista recuou 6 pontos percentuais
Veja mais