O dólar é negociado em baixa hoje, a R$ 5,17, e a Bolsa brasileira tem sessão positiva para o índice de ações Ibovespa, puxado pelo forte desempenho dos papeis da Petrobras e da Vale. Mercados aguardam hoje a divulgação da ata do Fed para calibrar apostas nos juros. No documento, o Federal Reserve, Banco Central dos Estados Unidos, detalha os motivos que levaram à manutenção dos juros no último encontro de política monetária.
O que acontece
Dólar recua ante o real. A moeda dos Estados Unidos é negociada nesta quarta-feira no comercial para a venda a R$ 5,171 às 14h30, variação de menos 0,98% ante fechamento de ontem. Movimento interrompe viés dominante nas últimas sessões.
Ibovespa reage após onze pregões de queda. O principal índice de ações da Bolsa do Brasil B3 chegou a subir 2,17% às 11h30, para 169.951 pontos. Por volta das 14h40, a variação era menor, de 0,98%, com Ibovespa a 167.965 pontos. O volume negociado atingia R$ 10,9 bilhões nesse horário, sinalizando uma sessão capaz de superar o giro de ontem, quando o mercado movimentou R$ 13,4 bilhões em sete horas de pregão. A reação firme hoje interrompe sequência de variações negativas. Ontem, o indicador caiu 0,27%, em 166.334 pontos, menor patamar desde 20 de janeiro.
Desempenho positivo das ações de maior peso no Ibovespa sustentam dia positivo na Bolsa. As ações da Petrobras, que representam 12,6% do índice das ações mais negociadas, e da Vale, que respondem por 11% do indicador, avançam perto de 3%, com ordens de compra de aplicadores estrangeiros.
Decisão do Tesouro americano influencia mercados globais. O departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou hoje ampliação do das operações de recompra de título no mercado. O plano é dobrar as compras para aumentar a liquidez para títulos de prazos mais longos, de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos. O tamanho máximo atual de US$ 2 bilhões por operação será de, pelo menos, US$ 4 bilhões por operação, segundo o órgão. Medida amplia recursos nas mãos dos mercados, que podem realocar capital para outros ativos.
A sinalização do Tesouro teve efeito imediato sobre as taxas de juros longas. A recompra anunciada contribui para melhorar o funcionamento do mercado e pode aliviar pontualmente a liquidez dos vencimentos longos.
Com maior liquidez nos Estados Unidos, estrangeiros voltaram a comprar ações no Brasil hoje. Segundo operadores, há movimentação de aplicadores de fora alimentando as ordens de compra das ações com maior peso no Ibovespa. Essa atuação hoje estanca saídas, que levaram a um saldo negativo de R$ 15 bilhões de retiradas líquidas em agosto até ontem.
Investidor internacional responde por cerca de 60% do giro diário de negócios na Bolsa brasileira. Por isso, quando esse investidor reduz exposição de forma rápida, falta comprador para absorver esse volume, apontam profissionais de mercado, e a correção acaba sendo mais intensa. Por outro lado, quando esse grupo atua na ponta compradora, o viés é positivo para a Bolsa. Até o meio de abril, o saldo das aplicações do capital externo estava positivo em R$ 69 bilhões, quando o viés mudou, apontam operadores.
Houve entrada forte de capital no começo do ano, e agora vimos alguma reprecificação de risco e realização de posições nios últimos pregões. Nas próximas semanas, o fluxo vai depender da maior clareza sobre o cenário internacional, a trajetória dos juros e a política econômica que será apresentada para 2027.
Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações
No exterior, petróleo ronda US$ 90 o barril. Os contratos do barril do tipo Brent com entrega em outubro eram negociados hoje por volta das 11h45 (horário de Brasília) em alta 1%, a US$ 91,91, ainda perto do maior nível desde 24 de julho. As tensões crescentes entre Irã e Estados Unidos influenciam negativamente as Bolsas, que operam com viés de baixa nesta quarta-feira.
Agentes de mercado aguardam a Ata do Fed. O Federal Reserve, Banco Central dos Estados Unidos, divulga hoje às 15h (horário de Brasília) o texto em que detalha as motivações que levaram o órgão a manter a taxa básica de juros americana estável no último encontro de política monetária. Agentes de mercado aguardam no documento sinalizações para a trajetória de juros na maior economia do mundo.
Na gestão de Kevin Warsh como presidente do Fed, a ata ganhou importância, apontam profissionais de mercado. Desde que assumiu a posição, o líder do órgão de política monetária dos Estados Unidos assumiu estilo de comunicação mais enigmática e resiste em discutir de forma mais direta a política monetária. Por isso, o texto poderá ajudar os investidores a calibrar suas expectativas para a trajetória futura da taxa de juros.
Na ata será possível entender, por exemplo, quais razões levaram a maior parte dos membros a optar pela manutenção dos juros, considerando que a inflação permanecia acima da meta há bastante tempo, quais critérios, condições ou riscos poderiam levar o Fed a elevar os juros no futuro; e quais foram os argumentos dos três integrantes que votaram a favor de uma alta imediata. A ata pode contribuir para um fortalecimento global do dólar e exercer pressão de alta sobre a nossa taxa de câmbio.
Leonel Oliveira Mattos, economista na Stonex.
Corporativo
Petrobras puxa alta do Ibovespa. As ações da petroleira, que respondem por 12,7% do principal índice da Bolsa brasileira, apresentam valorização pelo quinto pregão seguido. Por volta das 14h30, os papéis PN (preferenciais a dividendos) subiam 1,6%, a R$ 43,28, enquanto as ON (ordinárias com direito a voto) ganhavam 1,7%, a R$ 48,35, perto das máximas em três meses. Companhia anunciou nesta semana resultados positivos na prospecção de descoberta no poço pioneiro de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira. Segundo ela, a perfuração deve ser concluída em cerca de 15 dias. Próximo passo é medir a extensão e o volume recuperável do reservatório.
Vale sobe acompanhando cotação do minério. As ações da mineradora subiam 1,9% às 114h30, a R$ 72,97. Além da entrada de estrangeiros recompondo posições no Ibovespa, as ações da empresa brasileira são influenciadas pelos preços da commodity no exterior. O contrato de minério de ferro para janeiro mais negociado na Dalian (DCE) da China registrou alta de 0,85%, para 714 iuanes (US$ 105,90) por tonelada.
Simpar assume 100% de empresa que faz gestão de terminais urbanos em São Paulo. A holding que controla empresas dos setores de logística e mobilidade anunciou reorganização societária que levou a CS Infra a assumir 100% da concessão CS Mobi Leste SP, responsável pela gestão de terminais e estações de ônibus na capital paulista. Como parte da operação, a CS Brasil vendeu sua participação na BRT Sorocaba por R$ 75 milhões. As ações da companhia subiam 0,5% às 14h30, a R$ 5,98.
Grupo Multilaser sobe após anunciar provisão para perdas com Casas Bahia. Grupo empresa que fabrica, importa e distribui produtos de tecnologia, informática, utilidades vai registrar provisão para perdas com recebíveis de aproximadamente R$ 20 milhões relacionados ao Grupo Casas Bahia, após o pedido de recuperação judicial apresentado pela varejista. O valor se soma a outros R$ 11 milhões que já haviam sido provisionados anteriormente. Na B3, as ações da companhia subiam 0,6% às 14h40, a R$ 1,77.
Casas Bahia reage após duas fortes quedas. As ações da empresa que pediu recuperação judicial subiam 2,4% às 11h30, a R$ 0,42. Ontem, os papéis recuaram 6,8% ontem, após baixa de 33,3% na véspera, a R$ 0,41, menor patamar histórico do ativo. A companhia respondeu à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) sobre a informação de que estaria negociando um empréstimo de R$ 1 bilhão e planejando cortes profundos após pedir recuperação judicial, negando que tenha definição sobre a movimentação para conseguir o montante.
O varejo sofre com o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, afetando outras companhias por estarem no mesmo setor. A perspectiva de juros altos por mais tempo traz insegurança ao setor.
Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio da Boa Brasil Capital.
DEMOCRACIAS