O Ibovespa encerrou a sexta-feira (16) em alta moderada, após novas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno da disputa presidencial mostrarem uma diminuição da distância entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na semana, o Ibovespa acumulou 3,97% de alta.
Neste pregão, a bolsa paulista subiu 0,54%, a 205.430,33 pontos, após marcar 204.164,17 na mínima e 206.305,26 na máxima do dia.
No cenário doméstico, os dados do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) reforçam a percepção de desaceleração da economia brasileira, o que pode ampliar as expectativas de redução da taxa Selic.
Já no exterior, a desvalorização do dólar e a recuperação das bolsas internacionais contribuíam para um ambiente mais favorável aos mercados.
A moeda norte-americana oscilou em margens estreitas e fechou a sessão com leve baixa no Brasil, influenciado pelo cenário eleitoral brasileiro e por outro pelo recuo da moeda norte-americana no exterior.
O dólar recuava 0,30% frente ao real, cotado a R$ 5,0730. Na semana, a moeda acumulou alta de 1,75% e, no ano, recuo de 7,58%.
Ao longo da semana, índices de preços ao consumidor e ao produtor dos Estados Unidos, acima das expectativas, provocaram turbulências nos mercados.
No entanto, declarações de autoridades do Fed, indicando que não há urgência em apertar ainda mais a política monetária, contribuíram para estabilizar os rendimentos dos títulos do Treasuries) e reduzir a sustentação da moeda dos Estados Unidos.
Cenário eleitoral e macroeconômico
Pesquisa do instituto MDA, encomendada pela CNT (Confederação Nacional do Transporte) e divulgada nesta manhã, mostrou Flávio Bolsonaro com 46,8% das intenções de voto, ante 45,9% de Lula. Considerando a margem de erro de 2,2 pontos percentuais, os candidatos estão tecnicamente empatados.
O levantamento somou-se a outros divulgados nesta semana que também apontaram para uma disputa indefinida. Na noite de quinta-feira, a pesquisa Datafolha mostrou que a vantagem de Flávio sobre Lula caiu de 4 para 2 pontos percentuais.
O senador tem agora 47% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% de Lula. Os indecisos somam 2% e os que pretendem votar em branco, nulo ou não vão votar são 6%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, eles estão tecnicamente empatados.
Na noite de quinta-feira, a pesquisa Datafolha apontou que o senador e candidato à Presidência da República pelo PL (Partido Liberal), Flávio Bolsonaro, com 51% dos votos válidos no segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto.
O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem 49% da preferência do eleitorado, segundo a pesquisa.
Ainda nesta sexta-feira, o Banco Central informou que o IBC-Br registrou crescimento de 0,30% em agosto, na comparação com julho, considerando a série com ajuste sazonal.
O resultado ficou em linha com as projeções de economistas consultados pela Reuters. Em relação a agosto de 2025, o indicador avançou 1,2%, sem ajuste sazonal.
Mercados globais
As bolsas globais operavam em leve queda, em um movimento de estabilização após a forte onda de vendas que atingiu o setor de tecnologia ao longo da semana. Enquanto isso, o dólar caminhava para encerrar o período com perdas semanais.
Os mercados foram pressionados por preocupações com a trajetória dos juros nos Estados Unidos e com o financiamento por meio de dívida que sustenta parte da expansão dos investimentos em IA (inteligência artificial). Nesse cenário, ações de empresas de tecnologia e fabricantes de semicondutores estiveram entre as mais afetadas.
Dados de inflação norte-americanos acima das expectativas, divulgados na quarta-feira, levaram investidores a ampliar as apostas em novos aumentos das taxas de juros pelo Fed (Federal Reserve), além de estimular a busca por títulos do Treasuries e outros papéis da dívida pública.
Em Wall Street, o S&P 500 recuou 1,09%, encerrando o pregão em 7.659,44 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq teve queda de 2,15%, para 26.140,03 pontos, enquanto o Dow Jones Industrial Average caiu 0,34%, para 52.002,41 pontos.
Na Ásia, a maioria das bolsas encerrou a sessão em alta, acompanhada pela estabilização dos mercados de títulos, à medida que investidores revertiam parcialmente os movimentos observados no pregão anterior.
Na Europa, as bolsas também avançaram nesta sexta-feira, impulsionadas por resultados corporativos sólidos, que ajudaram a amenizar os efeitos da onda global de vendas de ações de tecnologia.
O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,7%, aos 644,74 pontos, atingindo seu maior nível em mais de três semanas.
Com o desempenho, o indicador acumulou valorização superior a 2% na semana, encaminhando-se para seu melhor resultado semanal desde o fim de junho.
Altas e baixas
Entre as ações do Ibovespa, os papéis da Petrobras avançavam, acompanhando a valorização do petróleo Brent no mercado internacional. As ações preferenciais PETR4 subiu 4,04%, enquanto as ordinárias PETR3 registraram alta de 3,53%.
No setor bancário, o desempenho era misto. Itaú Unibanco (ITUB4) encerrou em queda de 0,54%. Já Bradesco (BBDC4) recuou 1,78%, e Banco do Brasil (BBAS3) perdeu 0,55%. Assim como Santander Brasil (SANB11), que caiu 0,28%.
Na mesma linha, a Vale (VALE3) registraram queda 0,32%. Na China, o contrato mais negociado de minério de ferro na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou o pregão diurno com valorização de 0,07%, a US$ 100,57 por tonelada. Apesar do avanço diário, a commodity acumulou queda de 1,5% na semana.
Entre as maiores altas do principal índice da bolsa brasileira, a Magazine Luiza (MGLU3) liderou os ganhos, com valorização de 6,93%. Na quinta-feira, a companhia anunciou uma parceria com a Shopee para disponibilizar produtos de seu estoque próprio no marketplace digital.
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