Em meio à crise diplomática entre Brasil e Argentina detonada nas últimas semanas, uma pesquisa do instituto Zuban Córdoba y Asociados constatou que pelo menos sete de cada dez argentinos desaprovam os ataques de Javier Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o levantamento, divulgado nesta segunda-feira (10), 70,5% dos argentinos desaprovam os ataques de Milei a Lula, 20% aprovam e 9,5% responderam não saber.
Quando questionados sobre a importância do Brasil para a economia argentina, 88,9% dos entrevistados consideram importante, 10,5% disseram não ser importante e 0,6% afirmaram não saber.
O levantamento do instituto argentino foi realizado entre os dias 8 e 10 de agosto, de forma online, com base em 1200 entrevistados. De acordo com o instituto, a margem de erro é de 2,83% para mais ou para menos e o nível de confiança da pesquisa é de 95%.
“Confrontar o Lula pode servir para a épica libertária, mas escalar com o Brasil tem um baixo apoio social, alto custo político e econômico”, manifestou o instituto de pesquisa sobre os dados.
Na semana passada, o governo brasileiro decidiu rebaixar a relação diplomática com a Argentina para o nível de encarregados de negócios.
Em entrevista ao jornal Clarín, o chanceler Mauro Vieira afirmou que o embaixador brasileiro Julio Bitelli, convocado para consultas, somente retornará a Buenos Aires se Javier Milei parar os insultos a Lula.
Já o embaixador argentino, Daniel Raimondi, deixou o território brasileiro após a decisão do Itamaraty.
A crise entre os países teve início com a participação de Milei na convenção nacional do Partido Liberal, que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência, no fim de julho.
Na ocasião, o presidente argentino chamou Lula de “presidiário” e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de “lixo careca”.
Mesmo após o governo brasileiro chamar Bitelli para consultas, Milei manteve hostilidade a Lula em entrevistas, utilizando termos como “ladrão” e “corrupto”.
O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e o país de Milei ocupa atualmente a posição de terceiro maior sócio do Brasil, absorvendo 5% das exportações brasileiras.
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