Piauí faz história! Após 116 anos, Porto Piauí inicia operações com exportação de minério de ferro para a China

(PI) Primeira exportação será de minério de ferro; modelo logístico antecipa o funcionamento do porto em até três anos.

Por Editoria Democracias

O Piauí entrou oficialmente na rota do comércio internacional nessa segunda-feira (29), com o início das operações da Porto Piauí, em Luís Correia. Após 116 anos, a chegada do primeiro navio graneleiro representa um marco para a logística e para a economia do estado, que passa a contar com uma estrutura própria para exportação de cargas. O primeiro produto embarcado será o minério de ferro para a China.

O governador Rafael Fonteles destacou o caráter histórico da operação e o impacto que ela deve gerar para a economia do estado. “Foram 116 anos de espera até este momento histórico. Muita gente dizia que não haveria empresa interessada ou que o navio não atracaria. Ontem mostramos, na prática, que o projeto é viável. Agora estamos focados nos próximos passos. Ver a atracação do primeiro navio realmente emocionou muita gente, e eu fiz questão de acompanhar esse momento histórico”, afirmou.

As primeiras exportações serão realizadas por meio de uma operação conhecida como transbordo de granéis entre embarcações. A técnica foi escolhida pela Porto Piauí porque permite iniciar as atividades imediatamente, sem a necessidade de esperar a construção de estruturas portuárias mais complexas. Com isso, o início das operações é antecipado em até três anos, reduzindo custos de implantação e acelerando a entrada do estado no mercado internacional.

Segundo Rafael Fonteles a expectativa é fazer uma nova exportação, dessa vez de grãos, ainda em 2026. “O minério de ferro já é uma realidade e, em breve, também iniciaremos a exportação de grãos. O porto nasce com esses dois grandes eixos, mas está preparado para receber outros tipos de cargas e ampliar cada vez mais a atividade econômica do estado”, explicou.

Logística pioneira

O sistema de transbordo de granéis entre embarcações também será utilizado pela primeira vez no Brasil pela Porto Piauí. A operação já é adotada em países como Equador, Singapura e Guiné-Bissau para aumentar a eficiência logística e atender embarcações de grande porte, que muitas vezes não conseguem atracar diretamente nos portos.

Segundo o diretor de Gestão Operacional da Porto Piauí, Fábio Freitas, a solução foi desenvolvida para acompanhar a evolução do transporte marítimo mundial. “O comércio internacional cresceu buscando usar embarcações maiores, de maior capacidade, mas os portos mais antigos não cresceram na mesma velocidade. Apesar de ter um custo operacional imediato maior, essa solução reúne grandes volumes de carga e torna a operação mais eficiente no curto prazo”, explicou.

Como funciona

A operação envolve três tipos de embarcações. O navio graneleiro é carregado no Terminal de Uso Privado (TUP), em Luís Correia, com o minério de ferro. Em seguida, ele navega até a área de fundeio, localizada a aproximadamente 37 quilômetros da costa. Nesse ponto, encontra o navio-pulmão, uma embarcação equipada com galpões, guindastes e esteiras, que funciona como um armazém e plataforma de transferência da carga.

Depois que o minério é descarregado no navio-pulmão, ele é transferido para um navio de classe oceânica, embarcação com capacidade superior a 100 mil toneladas e preparada para realizar viagens internacionais de longa distância. É esse navio que segue para os mercados compradores, concluindo o processo de exportação.

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