O petróleo é negociado em alta ao redor do maior valor em três semanas, com as tensões crescentes entre Irã e Estados Unidos, e influencia negativamente as Bolsas, que operam com viés de baixa nesta quarta-feira. Mercados aguardam ata do Fed, texto em que o Banco Central dos Estados Unidos detalha cenário econômico e motivos que levaram à manutenção da taxa básica de juros no país. O documento será usado por agentes do setor financeiro para ajustar apostas na trajetória dos juros na maior economia do mundo.
O que aconteceu
Petróleo ronda maior nível em três semanas após Irã indicar postura mais ofensiva e manter o Estreito de Hormuz fechado. Os contratos do barril do tipo Brent com entrega em outubro eram negociados hoje por volta das 15h (horário de Brasília) em alta 1,2%, a US$ 92,02, no maior patamar desde 24 de julho.
Irã ampliou a pressão sobre países do Golfo e disse que apoio ou assistência logística aos EUA será tratado como participação direta nas operações militares. O chefe das Forças Armadas iranianas, general Ali Abdollahi, afirmou que Teerã acompanha de perto a situação e que é improvável que a presença de aeronaves militares americanas em bases da região ocorra sem conhecimento dos governos anfitriões.
Tráfego no Estreito de Hormuz segue muito abaixo do normal, o que mantém os preços do petróleo acima de US$ 90 por barril. A rota por onde passavam 20% do fornecimento mundial global da commodity tem registrado atualmente apenas seis navios cruzando o estreito ontem, ante nove no dia anterior. Antes do conflito, havia de 130 a 140 travessias diariamente pela passagem.
Fed e Tesouro dos EUA no radar
Pouco antes da divulgação da ata do Fed, Wall Street subia. Nas Bolsas americanas, o Dow Jones subia 0,19%, o S&P 500 avançava 0,23% e o Nasdaq variava 0,1%. juros.
Ata do Fed vai influenciar mercados. O Federal Reserve, Banco Central dos Estados Unidos, divulga hoje às 15h (horário de Brasília) o texto em que detalha as motivações que levaram o órgão a manter a taxa básica de juros americana estável no último encontro de política monetária. Agentes de mercado aguardam no documento sinalizações para a trajetória de juros na maior economia do mundo.
Na gestão de Kevin Warsh como presidente do Fed, a ata ganhou importância. Desde que assumiu, o novo líder do órgão de política monetária dos Estados Unidos implementou estilo de comunicação mais enigmático e da resistência em discutir de forma mais direta a política monetária. Por isso, o texto poderá ajudar os investidores a calibrar suas expectativas para a trajetória futura da taxa de juros.
Na ata será possível entender, por exemplo, quais razões levaram a maior parte dos membros a optar pela manutenção dos juros, considerando que a inflação permanecia acima da meta há bastante tempo, quais critérios, condições ou riscos poderiam levar o Fed a elevar os juros no futuro; e quais foram os argumentos dos três integrantes que votaram a favor de uma alta imediata.
Leonel Oliveira Mattos, economista na Stonex.
Decisão do Tesouro americano já influenciou mercados globais hoje. O departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira a ampliação do das operações de recompra de título no mercado. O plano é dobrar as compras para aumentar a liquidez para títulos de prazos mais longos, de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos. O tamanho máximo atual de US$ 2 bilhões por operação será de, pelo menos, US$ 4 bilhões por operação, segundo o órgão. Medida amplia recursos nas mãos dos mercados, que podem realocar capital para outros ativos.
A sinalização do Tesouro teve efeito imediato sobre as taxas de juros longas. A recompra anunciada contribui para melhorar o funcionamento do mercado e pode aliviar pontualmente a liquidez dos vencimentos longos.
Fernando Saad, analista de alocação e inteligência da Avenue.
Ásia e Europa
Bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em baixa após novo recuo de Wall Street e em meio a pressão sobre ações de tecnologia. O Kospi, da Coreia do Sul, caiu 5,80%, com Samsung Electronics (-7,8%) e SK Hynix (-9,8%), enquanto o Nikkei, de Tóquio, recuou 3,16% e o Xangai Composto caiu 2,40%.
Alta dos juros também pesou no sentimento na região, com destaque para os rendimentos dos títulos japoneses. O juro do JGB (título do governo japonês) de dez anos foi negociado perto de máxima de três décadas, acima de 2,9%, com expectativas de que o BoJ (Banco do Japão) volte a elevar a taxa básica para conter a inflação.
Bolsas da Europa fecharam sem viés único. A venda generalizada no setor tecnologia (-0,32%) perdeu um pouco de força nos mercados europeus, enquanto o setor de produtos químicos (+0,19%) se fortaleceu. Em Londres, a alta foi liderada pelas mineradoras, com a Rio Tinto (+3,48%). A Trainline, em contrapartida, perdeu cerca de 14% após a Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA, na sigla em inglês) do Reino Unido abrir uma investigação sobre práticas de precificação do site de passagens de trem e ônibus. Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 0,14%, a 10.743,35 pontos. Em Frankfurt, o DAX ganhou 0,01%, a 26.129,78 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,09%, a 8.501,91 pontos. Em Milão, o FTSE MIB teve queda de 0,75%, a 52.618,20 pontos. Em Madri, o Ibex 35 cedeu 0,55%, a 19.825,07 pontos.
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