EUA enfrentam preços recordes da gasolina em dia de feriado nacional

(EUA) Preços nos postos subiram junto com os preços do petróleo bruto, que nesta semana voltaram a ultrapassar US$ 90 por barril depois que novas ações militares entre EUA e Irã reavivaram as preocupações

Por Marcos Pacheco

Com a guerra no Oriente Médio ainda elevando os custos da energia, os norte-americanos enfrentam preços recordes da gasolina no fim de semana do Dia do Trabalho dos Estados Unidos, justamente quando as campanhas políticas para as eleições legislativas de meio de mandato estão começando.

O preço médio nacional da gasolina nos EUA provavelmente atingirá US$ 4,03 no Dia do Trabalho, na próxima segunda-feira (7), superando o recorde anterior de US$ 3,83 por galão, estabelecido em 2012, segundo o analista da GasBuddy, Patrick De Haan.

“A gasolina, embora não esteja em níveis recordes históricos, está no nível mais alto já registrado nesta época do ano, o que significa que os americanos poderão, pela primeira vez na história, ver um preço médio nacional da gasolina acima de US$ 4 por galão no Dia do Trabalho”, escreveu De Haan em uma postagem recente no blog.

O preço médio nacional da gasolina ficou em cerca de US$ 4,13 por galão na quinta-feira (3), um aumento de quase um dólar em relação à média do ano passado, de acordo com o serviço de monitoramento de preços GasBuddy. Analistas afirmam que US$ 4 por galão é um ponto crítico para muitos consumidores.

Os preços da gasolina, um dos indicadores econômicos mais visíveis para os consumidores dos EUA, podem moldar rapidamente as percepções sobre a economia em geral. Com os preços oscilando acima de US$ 4 por galão durante grande parte do ano, a questão tornou-se uma preocupação persistente para o presidente Donald Trump e o Partido Republicano.

Trump prometeu reduzir os custos com energia. Nas últimas semanas, ele intensificou as críticas às refinarias e aos varejistas de combustível, acusando-os de lucrar com os preços elevados nos postos.

Em 14 de agosto, Trump afirmou que os norte-americanos deveriam estar dispostos a pagar “um pouquinho a mais” pela gasolina para garantir que o Irã não conseguisse obter uma arma nuclear.

Os preços nos postos subiram junto com os preços do petróleo bruto, que nesta semana voltaram a ultrapassar US$ 90 por barril depois que novas ações militares entre EUA e Irã reavivaram as preocupações com interrupções no abastecimento global de petróleo bruto.

Os preços dos destilados, que incluem o diesel e o óleo para aquecimento, também aumentaram, impulsionados em parte pelos ataques em curso às instalações de refino russas, o que gerou preocupações com interrupções no abastecimento.

Os preços do combustível no varejo e do petróleo bruto costumam seguir a mesma tendência, pois a matéria-prima do petróleo bruto é o principal custo na produção do combustível.

Motoristas reduzem consumo

“Está completamente fora de controle”, apontou Randi O’Brien, de 57 anos, enquanto abastecia sua caminhonete em um posto da Phillips 66 perto de Evergreen, no Colorado.

O Colorado, juntamente com Utah, Idaho, Montana, Wyoming e Dakota do Norte, registrou alguns dos maiores aumentos de preços desde o início da guerra no Oriente Médio. Califórnia, Havaí e Washington têm atualmente os preços médios mais altos de gasolina do país.

“No momento, só posso gastar US$ 15 em gasolina”, disse O’Brien, que dirige cerca de 40 minutos de ida e volta todos os dias para trabalhar na Home Depot. Ela atribui parcialmente os altos preços ao aumento das exportações de petróleo bruto e combustível dos EUA após o início da guerra com o Irã, o que levou muitos países a recorrerem aos EUA para o abastecimento de combustível.

As exportações de produtos refinados aumentaram mais de 10% em comparação com o ano passado, conforme informações da Administração de Informações sobre Energia dos EUA.

“Temos nosso próprio combustível aqui, mas estamos enviando-o para outros lugares”, afirmou.

As dificuldades de O’Brien estão sendo compartilhadas por motoristas em todo o território dos EUA.

Com o custo até mesmo de uma ida rotineira ao supermercado subindo e os orçamentos familiares já apertados, Madison Moore, de 28 anos, moradora de Houston, comentou que estava reduzindo os planos de viagem para o Dia do Trabalho.

“Costumava ser sempre fácil arrumar o carro, ir até Galveston para a praia e fazer um churrasco ou algo assim. Mas as pessoas não querem mais sair assim”, avaliou Moore enquanto abastecia em um posto da Shell em Houston.

DEMOCRACIAS

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