Moraes manda PF ouvir Flávio Bolsonaro sobre calúnia contra Lula

Senador ligou o atual chefe do Executivo ao narcotráfico e disse que o petista seria delatado por Nicolás Maduro; oitiva será no dia 28 de julho

Por Marcos Pacheco

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal ouça, no dia 28 de julho, às 14h, o senador Flávio Bolsonaro. A oitiva será no âmbito do processo que avalia se ele cometeu crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A coleta do depoimento do senador foi pedida pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Moraes solicitou que a defesa de Flávio apresentasse uma data e horário de acordo com o interesse do cliente. No entanto, como não houve resposta, o magistrado fixou o dia.

“A defesa do investigado, limitou-se a solicitar à autoridade policial a renovação do prazo para a realização da oitiva do Senador Flávio Bolsonaro e a disponibilização de novas datas, com antecedência razoável, para o agendamento da diligência, sem apresentar, contudo, qualquer comprovante da impossibilidade de agendamento no período disponibilizado”, escreve Moraes, no despacho.

Em uma postagem na rede social X (antigo Twitter), Flávio ligou Lula ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A publicação ocorreu em janeiro deste ano. A PGR defendeu que uma retratação poderia encerrar o caso. “Remanesce a necessidade de oitiva do Sr. Flávio Nantes Bolsonaro, medida de especial relevância, sobretudo em razão da possibilidade de retratação, capaz de isentar o investigado de pena”, afirma o documento assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Após oitiva do senador, a Procuradoria afirma que o inquérito deve retornar ao órgão, para produção de relatório final sobre o caso. “A manifestação é, assim, pelo retorno dos autos à Polícia Federal a fim de que seja realizada a oitiva do investigado. Após, requer nova concessão de vistas para manifestação sobre o relatório conclusivo das investigações”, destaca o texto.

A Polícia Federal já tinha encerrado as investigações sobre o caso no âmbito da corporação e entendeu que ficou evidente o cometimento de crime por parte do parlamentar. A postagem de Flávio afirmava que Lula seria delatado pelo ditador Nicolás Maduro, que foi capturado e preso pelos Estados Unidos.

“Fica claro, portanto, que o senador Flávio Bolsonaro, através de sua postagem, imputou falsamente ao presidente Lula o cometimento dos crimes de tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de arma e lavagem de dinheiro, crimes estes expressamente tipificados em nosso ordenamento jurídico”, destaca o relatório da PF.

DEMOCRACIAS

 

 

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