Estudar no exterior exige planejamento e currículo acadêmico forte

O desejo de conquistar um diploma internacional atrai cada vez mais estudantes brasileiros. Mas apenas o sonho de se formar em uma instituição estrangeira não é o suficiente, é preciso haver planejamento.

Por Editoria Democracias

Aperfeiçoar um novo idioma, descobrir uma nova cultura e viver experiências locais são alguns dos motivos que despertam curiosidade para estudar em outro país.

Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Austrália e Portugal figuram entre os destinos mais procurados. Em primeiro lugar, é necessário entender as exigências de ingresso de cada país. Além do desempenho acadêmico, as universidades estrangeiras costumam valorizar a participação em projetos sociais, clubes escolares, competições, olimpíadas e esportes.

“É importante que o aluno pesquise as exigências do país e da universidade de interesse, de preferência logo no início do ensino médio. Assim, ele poderá direcionar sua formação e suas atividades extracurriculares para atender a esses requisitos”, explica Adriana Caton, conselheira educacional na The British College of Brazil, escola internacional em São Paulo.

Alguns países exigem também a aplicação de provas padronizadas, como o Scholastic Assessment Test e o American College Testing, similares ao Enem e necessários para ingresso em universidades americanas e canadenses.

De acordo com dados da Unesco, agência da ONU para a educação, ciência e cultura, em 2025 eram 269 milhões de estudantes no ensino superior. Destes, cerca de 7,3 milhões estudam fora de seu país de origem.

Uma das alunas da instituição, Helena Miresh Kirtikumar, de 18 anos, vai estudar Engenharia Biomédica com ênfase em Pré-Medicina na Universidade de Johns Hopkins, uma das mais prestigiadas dos Estados Unidos. “Desenvolvi a confiança e a disciplina necessárias para estar bem preparada para a vida universitária”, diz.

Como se preparar para o processo de seleção

Ao contrário do modelo brasileiro, focado quase exclusivamente em provas de vestibular, as universidades internacionais costumam valorizar o currículo e o histórico de participação em projetos sociais, clubes escolares, competições, olimpíadas e esportes, por exemplo.

Abaixo, a especialista detalha os principais passos da candidatura:

1. Histórico e atividades extracurriculares

Além do desempenho nas disciplinas escolares tradicionais, as bancas avaliadoras estrangeiras analisam o engajamento do estudante na comunidade. Projetos sociais, liderança em clubes escolares, competições acadêmicas, olimpíadas de conhecimento e a prática de esportes são importantes na avaliação do perfil do candidato;

2. Testes padronizados e redações (essays)

Além dos testes SAT e ACT, outra etapa importante é a elaboração de redações personalizadas (essays), uma espécie de carta de motivação, na qual o estudante deve demonstrar o interesse pessoal na instituição e destacar seus diferenciais para ser um dos selecionados pela escola;

3. Calendário de ingresso

Como o ano letivo difere do Brasil, com o ano escolar terminando no meio do ano nos EUA, por exemplo, é importante ficar atento a prazos para o envio de documentos.

As universidades americanas dividem a admissão em três modalidades principais: early decision (antecipada), regular decision (regular) e rolling admission (estendida).

É bom ter em mãos:

  • históricos escolares traduzidos e autenticados;
  • certificados de proficiência em inglês, como TOEFL ou IELTS;
  • resultados de testes como SAT ou ACT;
  • cartas de recomendação de professores ou orientadores que conheçam bem o perfil do estudante.

Além disso, algumas faculdades podem exigir documentos financeiros, principalmente para a emissão do visto de estudante.

Bolsas de Estudo e uso do Enem

Algumas instituições possuem modalidades para bolsas de estudo que avaliam a condição socioeconômica do candidato ou por mérito, que prioriza a excelência acadêmica e leva em conta os critérios detalhados acima.

A nota do Enem, por exemplo, pode ser uma forma de brasileiros estudarem em universidades de Portugal, que permite a nota no exame na candidatura.

Para a inscrição, o estudante deve consultar os requisitos específicos de cada universidade, já que as notas mínimas e os critérios de seleção podem variar de uma para a outra.

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