Governo federal arrecadou R$ 86,5 bilhões com IOF em 2025

Número representa alta de 20,54% em comparação ao acumulado de 2024

Por Editoria Democracias

O governo federal arrecadou R$ 86,5 bilhões com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em 2025. O número representa uma alta de 20,54% em comparação ao acumulado de 2024, quando o desempenho foi de R$ 71 bilhões.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (22/1) pela Receita Federal.

Somente em dezembro, a arrecadação foi de R$ 8,6 bilhões, aumento de 26,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram recolhidos R$ 6,8 bilhões, uma diferença de cerca de R$ 1,8 bilhão.

A principal razão do aumento dos recursos com o IOF é o aumento das alíquotas.

Idas e vindas do IOF

 

22 de maio – A equipe econômica do governo federal anuncia um bloqueio de R$ 31,3 bilhões no Orçamento. Ainda no mesmo dia, publica um decreto elevando as alíquotas do IOF para operações de crédito, câmbio e seguros.

22 de maio (à tarde) – Diante da forte pressão do setor produtivo, o governo recua parcialmente e edita pontos do decreto do IOF horas depois. Mercado financeiro e o Congresso Nacional reagem mal. Os parlamentares pressionaram o Planalto a buscar alternativas.

23 de maio – Com o recuo do governo, o mercado se recupera: o dólar cai e a Ibovespa, bolsa de valores, fecha em alta.

23 de maio – A oposição começa a articular a derrubada do decreto presidencial, mas o tema ainda não entra oficialmente na pauta do Congresso.

28 de maio – Os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, entram no jogo para negociar com o Planalto. Ao fim da reunião, Motta e Alcolumbre dão um prazo de 10 dias para que o Planalto apresentasse as ações alternativas ao IOF.

29 de maio – O governo confirma que apresentará uma nova proposta dentro do prazo e sinaliza a intenção de discutir uma reforma estrutural nas contas públicas.

2 de junho – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se compromete a apresentar alternativas ao Congresso para compensar o recuo parcial do aumento do IOF.

8 de junho – Reunião entre Haddad, Motta, Alcolumbre, alguns ministros e líderes das Casas termina em acordo: publicar uma medida provisória com medidas alternativas e rever itens do decreto IOF.

11 de junho – O Planalto publica a MP com medidas compensatórias ao recuo no IOF.

12 de junho – Dias depois, Motta recua e pauta a votação para aprovar a derrubada do decreto do IOF. A mudança de direcionamento foi mal vista pelo governo.

25 de junho – O Congresso aprova o projeto de decreto legislativo que susta os efeitos do aumento do IOF determinado por Lula.

27 de junho – O presidente Lula solicita à AGU que avalie a possibilidade de judicializar a questão.

1º de julho – A AGU anuncia que levará o caso ao Supremo Tribunal Federal, alegando que o Congresso extrapolou as competências constitucionais ao anular o decreto.

4 de julho – O ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspende tanto o decreto presidencial quanto o decreto legislativo. Moraes convoca uma audiência de conciliação entre os Poderes para terça-feira (15/7).

15 de julho – Data da mediação no STF entre Executivo e Legislativo para buscar uma solução institucional para o impasse em torno do IOF. Está prevista a discussão dos limites constitucionais de atuação de cada Poder.

15 de julho – A reunião termina sem que Congresso e Planalto cheguem a um acordo.

16 de julho – O ministro Alexandre de Moraes mantém eficácia de decreto do governo, mas revoga trecho referente às operações de risco sacado, um adiantamento que os bancos concedem a empresas que realizaram vendas a prazo.

8 de outubro — A Câmara dos Deputados retirou a apreciação da MP do IOF da pauta do dia, fazendo com que o texto perdesse a vigência sem ser votado.

A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 2,89 trilhões em 2025, em números corrigidos pela inflação.

Em dezembro, a arrecadação registrou R$ 292 bilhões. De acordo com o fisco, esse é o melhor desempenho arrecadatório desde 1995, tanto para o mês, quanto para o acumulado do ano.

Confira a arrecadação em cada mês do ano:

Janeiro: R$ 301,2 bilhões
Fevereiro: R$ 202,4 bilhões
Março: R$ 209,7 bilhões
Abril: R$ 247,7 bilhões
Maio: R$ 230 bilhões
Junho: R$ 234,6 bilhões
Julho: R$ 254,2 bilhões
Agosto: R$ 208,7 bilhões
Setembro: R$ 216,7 bilhões
Outubro: R$ 261,9 bilhões
Novembro: R$ 226,7 bilhões

DEMOCRACIAS

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