Com Brasil à frente do G20, Lula diz: “Não convém mundo com conflitos”

O presidente Lula também criticou a atual estrutura das instituições de governança global, que, segundo ele, “não têm representatividade”

Por Editoria Democracias

O presidente Lula também criticou a atual estrutura das instituições de governança global, que, segundo ele, “não têm representatividade”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (13/12), durante reunião conjunta das trilhas de sherpas e finanças do G20 – grupo que reúne as maiores economias do mundo – que o Brasil “continuará trabalhando por um cessar-fogo permanente” no conflito entre Israel e o grupo extremista Hamas, que ocorre desde 7 de outubro.

“Não nos convém um mundo marcado pelo recrudescimento dos conflitos, pela crescente fragmentação, pela formação de blocos protecionistas e pela destruição ambiental. Suas consequências seriam imprevisíveis para a estabilidade geopolítica”, afirmou o petista.

O chefe do Planalto discursou a representantes de líderes do G20 reunidos no Palácio Itamaraty. Esse é o primeiro pronunciamento dele no âmbito do bloco, desde que o Brasil assumiu a presidência do grupo que reúne as maiores economias do mundo, até novembro de 2024.

Lula descreveu a guerra no Oriente Médio como uma “violação cotidiana do direito”, que, ainda de acordo com ele, resulta na morte de milhares de civis inocentes, sobretudo mulheres e crianças.

“O Brasil continuará trabalhando por um cessar-fogo permanente que permita a entrada da ajuda humanitária em Gaza e pela libertação imediata de todos os reféns pelo Hamas”, declarou.

O mandatário reforçou que a comunidade internacional precisa caminhar para uma solução capaz de estabelecer dois Estados, o de Israel e o da Palestina, “vivendo lado a lado em segurança”.

“Sem ação coletiva, essas múltiplas crises podem multiplicar-se e aprofundar-se. As desigualdades estão na raiz dos problemas que enfrentamos, ou contribuem para agravá-los”, defendeu.

Reforma do Conselho de Segurança da ONU

Durante o discurso, o presidente Lula voltou a criticar o “anacronismo” das instituições de governança global, que, segundo ele, não têm representatividade. Como exemplo, ele citou o modelo atual do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU constituíam, em 1945, 10% dos membros da organização. Hoje são somente 2,5%. Na sua fundação, as juntas do FMI [Fundo Monetário Internacional] e do Banco Mundial dispunham de 12 assentos para um total de 44 países. Hoje, as juntas têm cada uma 25 assentos representando 190 países”, explicou.

No momento, o Conselho é formado por cinco membros permanentes e 10 não permanentes, estes eleitos em mandatos de dois anos. Em 2023, o Brasil chegou a presidir temporariamente a organização em outubro, mês do estopim da guerra entre Israel e Hamas.

“Se mantida a proporção original, esses órgãos deveriam contar, hoje, com 52 cadeiras – o dobro de seu tamanho atual. Cerca de 70 países, muitos deles na África, estão insolventes ou próximos da insolvência”, disse Lula.

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