Após oito anos, Brasil volta a receber um premiê do Japão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai receber o primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, nesta sexta-feira (3). É a primeira vez que um chefe de governo japonês visita o Brasil desde 2016, quando Shinzo Abe esteve no país participando da cerimônia de encerramento da Olimpíada do Rio. A visita do premiê deve fortalecer […]

Por Editoria Democracias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai receber o primeiro-ministro do Japão, Fumio Kishida, nesta sexta-feira (3).

É a primeira vez que um chefe de governo japonês visita o Brasil desde 2016, quando Shinzo Abe esteve no país participando da cerimônia de encerramento da Olimpíada do Rio.

A visita do premiê deve fortalecer a parceria estratégica global que o Brasil tem com o Japão e ampliar o fluxo comercial entre os dois países, atualmente estimado em US$ 11 bilhões (cerca de R$ 57 bilhões).

A reunião entre Lula e Kishida deve tratar de temas referentes ao acesso do Brasil ao mercado japonês de carne bovina, transição energética, proteção da Amazônia e cooperação em iniciativas ambientais.

O prêmio vem ao Brasil, a convite de Lula, acompanhado de 35 lideranças empresariais. O líder japonês será recepcionado às 9h30. Os dois devem se encontrar na rampa do Palácio do Planalto, em Brasília. Na sequência, haverá uma reunião entre os dois.

Shinzo Abe, em 2016, foi o último primeiro-ministro do Japão a estar no Brasil / Reprodução/YouTube/Olympics
Trocas comerciais

Durante a reunião, o presidente deve pedir ao premiê para que o Brasil participe do mercado de carne bovina do Japão. Desde 2005, o Brasil tenta entrar nele, mas não teve sucesso.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o Japão importa cerca de 70% da carne bovina que consome, o que representa de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões ao ano (cerca de R$ 16 bilhões a R$ 20 bilhões). Desse total, 80% são importados dos Estados Unidos e da Austrália, históricos aliados do país asiático.

“O presidente Lula mencionará essa intenção de diversificarmos as trocas comerciais e eu acho que um grande objetivo é obtermos acesso ao mercado japonês para a nossa carne bovina e a ampliação do acesso à carne suína, a qual, por ora, apenas Santa Catarina está habilitada [a exportar]”, disse o embaixador Eduardo Paes Saboia, secretário de Ásia e Pacífico do ministério.

Lula e Kishida também devem debater sobre a cooperação multilateral em temas internacionais, como a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, defendida pelos dois países. Além de tópicos relacionados à paz, à segurança e ao desarmamento.

Outras agendas

O presidente e o premiê ainda vão participar de uma cerimônia para assinatura de acordos nas áreas de cibersegurança, ciência e tecnologia, industrial e de cooperação em agricultura e meio ambiente.

Também está previsto um almoço entre os chefes dos governos brasileiro e japonês no Palácio Itamaraty. Posteriormente, Kishida deve ir para o Paraguai.

No sábado (4), o primeiro-ministro japonês retorna ao Brasil, onde vai participar de atividades junto à comunidade nipo-brasileira em São Paulo. A expectativa é de que Kishida participe do Fórum Empresarial Brasil-Japão junto com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

Parceria

Segundo o Itamaraty, o Brasil é um grande exportador de ferro, frango, café, alumínio e milho, e importa do Japão, sobretudo, produtos manufaturados, com ênfase nas autopeças, compostos químicos, instrumentos de medição e circuitos integrados.

O ministério aponta que em 2023 o Japão foi o segundo parceiro comercial do Brasil na Ásia e o nono no mundo, com intercâmbio comercial de US$ 11,7 bilhões (cerca de R$ 60 bilhões) e superávit brasileiro de US$ 1,491 bilhão (cerca de R$ 7,8 bilhões).

O Brasil conta com a maior população nipodescendente fora do Japão, estimada em mais de 2 milhões de pessoas, e o Japão abriga a quinta maior comunidade brasileira no exterior, com cerca de 211 mil pessoas.

DEMOCRACIAS

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