MEC estuda remanejar recursos para ensino integral após queda de matrículas

Ministro e presidente do Inep atribuem recuo à demografia e menor evasão; país atingiu meta de 25% de alunos em jornada estendida

Por Editoria Democracias

O MEC (Ministério da Educação) sinalizou que deve realizar um remanejamento estratégico em seu orçamento para priorizar a educação em tempo integral e a primeira infância.

A medida é uma resposta direta aos dados do Censo Escolar 2025, divulgados nesta quinta-feira (26), que revelam uma redução estrutural de cerca de 1 milhão de matrículas na educação básica, fenômeno concentrado principalmente no ensino médio.

Ao responder à CNN Brasil, o ministro da Educação, Camilo Santana, admitiu que o governo está disposto a rever a destinação de verbas diante do novo cenário demográfico e da maior eficiência do fluxo escolar. “Haverá deslocamento de recursos quando necessário.”

O ministro respondia se a redução nas matrículas, concentrada sobretudo no ensino médio, justificaria um maior investimento na universalização do ensino fundamental em tempo integral.

O presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), Manuel Palacios, explicou que a queda de matrículas é, em grande parte, demográfica e estrutural.

Questionado sobre o destino dos recursos dessas vagas, Palacios foi categórico ao definir o foco da gestão. “Os recursos vão para as áreas mais prioritárias, que são duas: educação integral e primeira infância.”

Para a cúpula do MEC, os resultados do Censo são vistos como uma “vitória”. Segundo Palacios, a redução no volume total de alunos também se deve à maior eficiência de programas de governo.

Segundo Camilo, os estudantes estão repetindo menos e a evasão escolar caiu, o que gera um desempenho mais fluido. Ele, assim como o presidente do Inep, destacou o papel do programa Pé-de-Meia na redução da evasão e na melhoria dos indicadores.

Brasil atinge meta do PNE

Apesar da queda no número total de alunos, o Censo traz um dado histórico: o Brasil atingiu a Meta 6 do PNE (Plano Nacional de Educação). Pela primeira vez, o percentual de estudantes em tempo integral na rede pública alcançou 25,8%, superando o objective de 25%.

O avanço, segundo o governo, é fruto de um investimento de R$ 4 bilhões no Programa Escola em Tempo Integral, criado em 2023, no governo Lula.

Eficiência ou progressão continuada?

Ao ser questionado pela CNN Brasil se a queda na repetência seria um reflexo de aprendizado real ou apenas o uso da progressão continuada, o ministro Camilo Santana defendeu as políticas da pasta.

“O MEC nunca olhou tanto para a educação básica como agora”, disse, citando que o Pé-de-Meia reduziu a evasão escolar pela metade e que os avanços dos últimos três anos traduzem metas alcançadas pela primeira vez na história do PNE.

Ensino técnico bate recorde

A educação profissional também registrou o maior número de sua história, com 3,1 milhões de matrículas em cursos técnicos.

Camilo Santana disse que o conjunto de ações do governo, como o programa Juros por Educação, tem sido fundamental para esse salto.

Na rede pública, o percentual de alunos do ensino médio matriculados no técnico subiu de 11,5% (2021) para 20,1% (2025).

DEMOCRACIAS

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