Saúde mental em xeque: especialista alerta para estresse após Enem

Psicóloga escolar dá dicas para minimizar os danos emocionais e preservar a saúde mental

Por Editoria Democracias

O encerramento dos calendários de provas do Enem e dos grandes vestibulares brasileiros inaugura um período de “limbo” emocional para milhares de candidatos.

No Brasil, o cenário é de alerta: dados da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde) indicam que problemas de saúde mental afetam entre 10% e 20% dos adolescentes globalmente, com a ansiedade entre jovens brasileiros dobrando na última década.

Nesse contexto, o período entre a última prova e a lista de aprovados tornou-se um dos picos de estresse do ano letivo.

De acordo com Yasmin Lobo, psicóloga escolar e especialista em orientação parental do Elite Rede de Ensino, esse período é atravessado por um intenso movimento emocional que mistura esperança, medo e insegurança. “A tensão tende a se intensificar quando o aluno passa a acreditar que aquele resultado pode definir seu futuro, seu valor pessoal ou sua capacidade total”, explica a especialista.

Diferente da fase de estudos, onde o aluno mantém o controle sobre sua rotina, o tempo de espera gera insegurança justamente pela falta de controle sobre o desfecho. A especialista reforça que a pressão familiar e a comparação constante com colegas são gatilhos para quadros moderados e graves de ansiedade.

Para Yasmin, é fundamental que a sociedade e as famílias compreendam que sentir ansiedade neste momento não é sinal de fragilidade, mas uma resposta humana legítima. “O apoio emocional e a escuta sem julgamentos são vitais. O valor de um jovem não pode estar condicionado a um código de barras ou a uma lista de aprovados”, afirma a psicóloga.

O impacto não é apenas emocional, mas funcional. Para aqueles que ainda possuem exames residuais ou outras etapas de seleção pela frente, o desgaste da espera pode prejudicar a concentração e a organização acadêmica. Instituições de ensino têm observado oscilações no rendimento e cansaço emocional acentuado nestas janelas de tempo.

Para minimizar os danos emocionais e preservar a saúde mental, a psicóloga Yasmin Lobo detalha estratégias práticas para estudantes e seus familiares.

O que FAZER (ações proativas)

Manter uma rotina equilibrada: é essencial respeitar os momentos de descanso, lazer e autocuidado, saindo do “modo de alerta” constante.

Focar no que é controlável: o aluno deve direcionar sua atenção para o presente e para as atividades que ainda pode realizar, em vez de remoer o desempenho passado.

Praticar a regulação emocional: atividades físicas, pausas conscientes e a organização do tempo ajudam a manter a clareza mental.

Validar o esforço: reconhecer o percurso construído ao longo do ano e os avanços conquistados, independentemente do veredito final.

Escuta qualificada (Família): os responsáveis devem oferecer um suporte emocional que valide os sentimentos do jovem, sem minimizar suas angústias.

O que NÃO FAZER (comportamentos de risco)

Não condicionar seu valor a uma nota: Evitar a ideia de que um único resultado é determinante para toda a trajetória ou capacidade pessoal.

Evitar comparações excessivas: a comparação constante com colegas e amigos apenas aumenta a pressão interna e a insegurança.

Não alimentar a autocrítica excessiva: o período de espera já é naturalmente punitivo; o estudante deve evitar ser seu crítico mais severo.

Não minimizar a ansiedade: ignorar os sinais de estresse ou tratá-los como “frescura” pode agravar quadros de exaustão emocional.

Evitar cobranças focadas apenas na aprovação: discursos familiares centrados exclusivamente no êxito acadêmico aumentam a pressão emocional e prejudicam o vínculo.
Educação cocioemocional como vacina

O enfrentamento deste período costuma ser mais equilibrado em alunos que passaram por uma formação socioemocional estruturada.

No caso do Elite, o uso de ferramentas como o LIV (Laboratório de Inteligência de Vida) auxilia os estudantes a nomear emoções e fortalecer a autonomia.

“A espera, embora difícil, ensina habilidades que ultrapassam o vestibular, como resiliência, paciência e tolerância à frustração”, destaca a psicóloga Yasmin. A orientação para as famílias é manter um diálogo aberto, oferecer segurança relacional ao jovem e confiar no percurso, reforçando que o futuro não se resume a um único momento, mas a múltiplos caminhos possíveis.

DEMOCRACIAS

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