Dólar cai com recuo de Trump e PIB dos EUA. Bolsa bate novos recordes

Dólar cai com recuo de Trump e PIB dos EUA. Bolsa bate novos recordes

Por Editoria Democracias

O dólar operava em baixa, nesta quinta-feira (22/1), em meio ao alívio dos mercados após o recuo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que desistiu de impor novas tarifas comerciais contra países da Europa que não o apoiam em seu objetivo declarado de tomar posse da Groenlândia – região autônoma que pertence à Dinamarca.

Ainda no front externo, os investidores repercutem a divulgação de uma série de indicadores econômicos nos EUA. O mais importante deles é a segunda leitura do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano referente ao terceiro trimestre do ano passado, que foi inicialmente divulgado em dezembro de 2025.

Dólar

Às 14h55, o dólar caía 0,59%, a R$ 5,289.

Mais cedo, às 13h07, a moeda norte-americana recuava 0,56% e era negociada a R$ 5,29.
Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,326. A mínima é de R$ 5,286.

Na véspera, o dólar despencou 1,13%, cotado a R$ 5,32. Foi o menor patamar de fechamento em mais de um mês, desde dezembro.

Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,11% frente ao real em 2026.
Ibovespa.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), disparava novamente no pregão, engatando um recorde atrás do outro.

Às 14h59, o indicador avançava 2,63%, aos 176,3 mil pontos.

Na pontuação máxima do dia até aqui, o Ibovespa cravou 177.741,56 pontos. É a primeira vez na história que o Ibovespa ultrapassou a marca dos 177 mil pontos, recorde histórico absoluto.
No dia anterior, o índice fechou em disparada de 3,33%, aos 171.816,67 pontos, a nova máxima histórica de fechamento.

Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 6,55% no ano.
Recuo de Trump afasta temor de nova guerra comercial

O mercado financeiro respirou aliviado, nessa quarta-feira (21/1), com o recuo do governo de Donald Trump nos EUA sobre a aplicação de novas tarifas comerciais sobre países da União Europeia (UE).

Trump afirmou que não irá impor as tarifas previstas e que definiu a “estrutura” de um futuro acordo envolvendo a Groenlândia e a região do Ártico após uma reunião com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte.

Segundo o republicano, o entendimento poderá trazer benefícios tanto para os EUA quanto para os países da aliança militar. “Após uma reunião muito produtiva com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, definimos a estrutura de um futuro acordo referente à Groenlândia e, na verdade, a toda a região do Ártico”, escreveu Trump em publicação na rede Truth Social.

“Essa solução, se concretizada, será excelente para os Estados Unidos da América e para todos os países da Otan. Com base nesse entendimento, não imporei as tarifas que entrariam em vigor em 1º de fevereiro”, acrescentou.

Trump já havia sinalizado um recuo na retórica agressiva adotada contra a ilha ártica e países europeus que se opunham ao seu plano. O norte-americano descartou o uso da força para obter o controle da Groenlândia, mas afirmou que exigia “negociações imediatas” para a compra do território pertencente à Dinamarca.

O republicano também informou que novas discussões estão em andamento sobre a chamada “Cúpula Dourada”, iniciativa ligada à Groenlândia, mas não detalhou o conteúdo das negociações. “Mais informações serão disponibilizadas conforme o andamento das discussões”, disse.

A Groenlândia é um território autônomo, mas pertence ao reino da Dinamarca — a política externa e a defesa do território são responsabilidade dinamarquesa. A região é considerada estratégica pelos EUA devido à posição no Ártico.

Há bases militares norte-americanas na região, e Trump alega que é um território “essencial para a defesa dos EUA”. Como parte da comunidade dinamarquesa, a Groenlândia é membro da Otan, assim como os Estados Unidos.

Nesta quinta-feira, líderes europeus fazem uma reunião de emergência, em Bruxelas, na Bélgica, para discutir as ameaças do presidente dos EUA à Groenlândia. O encontro, convocado na última terça-feira (20/1), foi mantido após o líder norte-americano insistir na anexação do território.

Segundo o presidente do Conselho Europeu, António Costa, os líderes do bloco vão tratar da soberania, do apoio à Dinamarca e à Groenlândia e das preocupações com o acordo comercial entre EUA e UE.

Nova leitura do PIB dos EUA

Na agenda de indicadores econômicos, o principal destaque desta quinta-feira é a divulgação do resultado do PIB dos EUA no terceiro trimestre de 2025.

A economia dos EUA avançou 4,4% no terceiro trimestre. É o que mostrou a segunda leitura dos dados, divulgada pelo Departamento de Comércio do governo norte-americano.

O resultado veio ligeiramente acima das estimativas de analistas do mercado, que projetavam expansão de 4,3% no terceiro trimestre.

No segundo trimestre de 2025, o PIB dos EUA avançou 3,8%, na base anual (dado revisado). No primeiro trimestre, recuou 0,5%.

De acordo com a primeira leitura, divulgada em dezembro pelo Departamento do Comércio, a economia norte-americana cresceu 4,3% no período entre julho e setembro do ano passado. O resultado veio bem acima das estimativas de analistas do mercado na ocasião, que projetavam expansão de 3,3% no terceiro trimestre.
Para esta segunda leitura, a maioria das projeções do mercado aponta para a confirmação do crescimento de 4,3%.

O dado sobre a atividade econômica é um daqueles levados em consideração para a definição da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).

Na última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed, em dezembro, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano.

Foi a terceira redução consecutiva na taxa de juros pelo BC dos EUA. Na reunião anterior do Fed, em setembro, o corte também havia sido de 0,25 ponto percentual.

A votação não foi unânime. Stephen Miran, novo integrante do Fed, indicado por Donald Trump, votou por um corte maior, de 0,5 ponto percentual, enquanto Jeffrey R. Schmid e Austan D. Goolsbee votaram pela manutenção da taxa de juros.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para a semana que vem, nos dias 27 e 28.

DEMOCRACIAS

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