A alta dos juros longos no mundo desenvolvido recolocou a inflação no centro das decisões de investidores globais e acendeu um sinal de alerta para o crédito no Brasil.
Depois de um início de ano marcado pela expectativa de cortes de juros e maior apetite ao risco, gestores passaram a trabalhar com um cenário mais duro: inflação persistente, curvas longas pressionadas e empresas brasileiras mais expostas ao custo elevado da dívida.
A mudança de cenário aparece no movimento coordenado de abertura das curvas longas nos principais mercados globais — Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Japão.
Para os gestores, o fenômeno vai além de um choque temporário de petróleo e reflete algo mais estrutural: uma economia mundial sustentada por um ciclo robusto de investimentos em inteligência artificial, capaz de pressionar a demanda por insumos críticos e alimentar a inflação de forma menos evidente.
O tema foi discutido no AfterMarket, programa do Stock Pickers apresentado por Lucas Collazo, com a participação de Andrew Reider, da WHG Asset, e Christian Keleti, da Alpha Key, além da presença especial de Bruno Serra, gestor da estratégia Janeiro, da Itaú Asset.
Serra chegou direto de Nova York, onde passou quase dez dias conversando com fundos estrangeiros durante a Brazil Week. “Passei quase dez dias lá falando com fundo gringo. O tema principal era essa história da inflação. Era o que mais estava incomodando a turma e me pareceu ser o principal ponto que estava gerando tomada de decisão na ponta”, disse Serra.
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